Uma Parada no interior!

A gente caminha pelas ruas e não imagina como será. Olha para o povo e não sabe da reação. O tempo? Uma incógnita. E o rio vai levando adiante suas águas. Os peixes, lá estão. Uma diversidade deles.

Rio Piracicaba

Águas do Rio Piracicaba

Cinco dias numa cidade do interior. Onde o rio passa e os peixes param. Cidade da cachaça e das pamonhas de Piracicaba.

Reunidos, 50 pessoas LGBTT discutiram seus direitos, organizaram suas lutas, avaliaram seus caminhos e descaminhos, refletiram suas ideias e por fim celebraram. Uma Parada no interior.

1º Encontro LGBT de Piracicaba e Região

1º Encontro LGBT de Piracicaba e Região

Cresci ouvindo aqueles carros de pamonhas gritando aos quatro cantos a famosa frase “Olha a pamonha, pamonhas, pamonhas de Piracicaba”. Nem imaginava de onde vinha aquele quitute de milho verde. Queria é me lambuzar do doce de Piracicaba. Agora já sei de onde vem. Cidade linda, acolhedora, povo simpático.

Cheguei na concentração da 3ª Parada LGBTT de Piracicaba. Povo já animado mesmo sem o som estar ligado. Gente diversa, alegre, chegando de toda parte da cidade. Em grupos, sozinhas, pulando, cantando ou chegando de fininho e observando. Famílias inteiras, crianças, idosos.

Concentração

Concentração da 3ª Parada LGBTT de Piracicaba

Chega um trio de um parceiro. Vira um alvoroço. Enfim o som, a música, o batidão. Em seguida, o trio oficial abre o som e coloca suas potentes caixas para funcionar. Uma loucura. A galera explode de emoção.

Gente montada de todo lado. Drag Queens, travestis, transexuais, gays, lésbicas e bissexuais se acomodavam entre os heteros simpatizantes.

A abertura oficial – Rubia, drag da cidade, arrasa ao lado de Dimmy Kieer, um amor e Salete Campari, engajada. Já víamos umas 10 mil pessoas. Vamos caminhando, as pessoas nas janelas dos prédios acenando, carros buzinando e o som rolando. Aí podíamos imaginar umas 20 mil pessoas até o momento que Dimmy Kieer avisa: São 20 mil pessoas, número oficial da polícia. É hora de perceber nos rostos das pessoas que organizaram a alegria e a satisfação. Dever cumprido. Mas muita emoção ainda ia rolar.

Dimmy Kieer, Luiz André e Salete Campari

Dimmy Kieer, Luiz André e Salete Campari

Do nada, uma cena triste. De alguma janela, um ovo é arremessado e atinge em cheio os peitos de uma travesti que estava em cima do trio elétrico. Nessa hora, Rubia, Dimmy e Salete param o trio e não deixam barato. A pessoa homofóbica tinha que ouvir poucas e boas. E tenho certeza, ouviu. Estava alí pertinho, se acovardando detrás de uma janela. Dado o recado, o trio segue… e desce a ladeira.

O trânsito se complica. O departamento de trânsito não organiza direito. No microfone, divina Rubia cobra do prefeito Barjas Negris providências. Danada ela. Incisiva. Mas o prefeito desce do trio e nada acontece. Militantes é que começam a organizar o trânsito nessa hora. Já estávamos terminando a parada. Destino final o palco montado no largo da Rua do Porto. Emoção! No palco, com entusiasmo é anunciado: 35 mil pessoas na 3ª Parada LGBTT de Piracicaba. Eu estava lá e comprovo.

Multidão

Multidão na 3ª Parada LGBTT de Piracicaba

Beirando o Rio Piracicaba, com sua beleza e seus peixes de testemunhas, via-se uma multidão celebrando a diversidade, reivindicando direitos negados, lutando contra a homofobia… vivendo o amor, que tem nome sim senhor: o amor lésbico e gay, o amor das travestis e transexuais. O amor LGBT.

Parabéns Alselmo/Theo pela organização, e em seu nome agradeço a hospitalidade, alegria e dedicação de todos e todas da ONG CASVI que proporcionaram esse momento maravilhoso para a história do Movimento LGBTT do Brasil.

VIVA A DIVERSIDADE!!!

Luiz André Moresi

Bandeira do Arco-íris

Bandeira do Arco-íris

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