Defensores da Cidadania

No dia 07/02 iniciei o curso Defensores da Cidadania que está em sua décima edição. Lembro quando a prefeitura de Jacareí, através da Secretaria de Assistência Social e Cidadania lançou essa importante ação visando criar uma rede de defensores dos direitos humanos.  Eu trabalhava na Secretaria, era assessor de juventude.

De lá pra cá mais de 800 pessoas fizeram o curso. 

Mas a pergunta que não quer calar: Onde estão os defensores da cidadania de Jacareí?

Pergunto isso porque vejo que em nossa cidade quase não há organizações de defesa dos direitos humanos. De Assistência Social e assistencialista temos muitas. Constato também que não temos conselhos importantes para se garantir a defesa da cidadania, como o Conselho da Juventude, da Mulher, da Igualdade Racial, o Conselho LGBT e tão pouco o Conselho Municipal dos Direitos Humanos.

Vejo ainda que falta no executivo municipal alguns órgãos que poderiam contribuir para a garantia plena dos Direitos Humanos em nossa cidade, como assessorias ou coordenadorias temáticas e setoriais. Muitas cidades têm a Coordenadoria da Mulher, do Negro e Negra, da Juventude, LGBT ou da Diversidade Sexual, da Participação Popular, entre outras. E mesmo no Orçamento Participativo, espaço construído para garantir a participação da população na decisão do orçamento municipal, visualizo que as discussões temáticas ainda não foram implantadas, nesses já 10 anos de realização desse instrumento cidadão.

Aproveito aqui para fazer duas provocações. Vamos lá:

1ª provocação – Prefeito Hamilton, Vereadores, Secretários Municipais, entidades de classe, entidades sociais e assistênciais, sindicatos e jacareienses comprometidos com os Direitos Humanos, incluindo os mais de 800 que já fizeram o curso Defensores da Cidadania, vamos criar em nossa Jacareí o Conselho Municipal dos Direitos Humanos, garantindo a participação das várias áreas temáticas e setoriais da nossa sociedade?

2ª provocação: Em um artigo no Jornal Valeparaibano de agosto de 2009, “Quem participa, decide!”, escrevi sobre a relevãncia do Orçamento Participativo em nossa cidade e indiquei a necessidade de se ter áreas temáticas e setoriais no OP. Que é significativo discutir obras, mas também serviços, projetos, programas, políticas públicas sociais e setoriais. Então, que tal, se agentes políticos da cidade levarem para as plenárias do OP a importância de se ter as reuniões temáticas e setoriais, como  “criança e adolescente, juventude, mulheres, educação, saúde, assistência social, cultura, etc?”… Assim, tenho certeza, a participação popular seria ampliada e a democracia participativa , de fato, aplicada na construção do Orçamento Municipal. Que tal?

É isso, algumas inquietações que me levam a fazer indagações. Mas, acima de tudo, fazer proposições. Sou assim, me enche de alegria a possibilidade de poder ajudar com ideias, naquilo que aponto e critico. Penso que, se está bom, pode ficar melhor ainda.

Afinal, sou Jacareiense de Coração!

Luiz André Moresi

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Notícia no Jornal Valeparaibano

Segue matéria publicada hoje no Jornal Valeparaibano – 13/janeiro/2009

Região

Jacareí realiza primeira Parada Gay no Vale

Jacareí vai sediar a primeira Parada Gay do Vale do Paraíba. O evento, programado para o dia 27 de junho –véspera do Dia Mundial do Orgulho LGBT–, é organizado pela ONG Revida (Reintegrando Vidas), militante do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).

Integrantes da ONG esperam reunir até 10.000 pessoas nesta primeira edição que, segundo eles, servirá como incentivo para a criação de paradas em outras cidades da região.

“Como o objetivo é a luta contra o preconceito, a gente espera que cada cidade possa realizar a sua [parada] futuramente”, disse o presidente da ONG Revida, Luiz André Moresi. Segundo ele, além da parada em São Paulo, outras 150 cidades do país organizaram eventos semelhantes em 2009.

No próximo dia 23, a ONG irá promover um debate com participação aberta ao público para discutir questões técnicas, como o tema do evento e o percurso da parada –preferencialmente no centro da cidade.

CONSCIENTIZAÇÃO – Segundo o presidente da ONG Revida, a ‘Parada Gay Jacareiense’ deverá repetir os lemas da Parada Gay de São Paulo pela luta contra a homofobia e a discriminação sexual.

“A parada não é uma festa. É uma forma diferente de protesto, um protesto alegre. A população GLBT sofre muito com o preconceito e o evento é uma forma de combate”, afirmou.

A prefeitura informou ontem que não recebeu qualquer comunicado ou solicitação oficial sobre o evento, mas que, assim como ocorre com qualquer outra manifestação, está disposta a receber o grupo para discutir a questão.

O que dizem por aí… e no Valeparaibano…

O Jornal Valeparaibano publicou três notinhas na coluna Ponto a Ponto do dia 29 de dezembro de 2009.  Na nota, é informado o projeto que a ONG vai desenvolver e também é citada uma frase contida em um artigo sobre a nossa primeira capacitação em Direitos Humanos em DST/HIV/aids, em que faço uma breve análise de conjuntura de Jacareí sob o aspecto do preconceito e da intolerância dos religiosos.  Ler a frase, sem ler todo o artigo, parece estranho.

Tenho respeito pelas religiões e seus sacerdotes, pastores e seguidores.  O que não aceito é o preconceito e a intolerância. E não adianta vir com o discurso de que eles “aceitam os homossexuais, mas não aceitam o homossexualismo”… é assim mesmo que falam, usando o sufixo “ismo”, declarando com isso que ser homossexual é ser doente. Então o preconceito já começa aí, depois vem o pedido para que quem quiser seguir os preceitos da religião tem que se negar, deixar de ser o que se é… negar a sua condição humana, porque ser homossexual não é uma opção, é uma orientação, é uma condição humana.

Gosto de falar que Deus é amor, é respeito, é solidariedade e que nem Ele, nem Jesus Cristo e nem santo algum é preconceituoso e que aceitam incondicionalmente as pessoas como são. O preconceito vêm justamente  dos “homens e mulheres” que administram essas igrejas, mais os homens do que as mulheres, é verdade.

Sou uma pessoa de fé, e não posso e nem devo aceitar que pessoas sofram porque religião a ou b, igreja tal, ou pastor e padre daqui e dali, em nome de uma interpretação erronia e descontextualizada da Bíblia, tratem com desprezo e inferioridade pessoas cuja grande semelhança, segundo eles mesmos, foram feitos  “à imagem de Deus”.

Desejo, que a alegria e a beleza da diversidade humana, toque os corações de todas as pessoas e as tornem “homens e mulheres de bem”, que não discriminam nem por raça, cor, credo, sexo, gênero, identidade de gênero e nem orientação sexual.

Um belo e gostoso 2010 para tod@s!!!

Luiz André Moresi

Nota no Jornal Valeparaibano de 29.12.2009

Nota no Jornal Valeparaibano de 29.12.2009