Provocações!

ATO REGIONAL VALE DO PARAÍBA #FORA FELICIANO SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SP - 16/03 VALE DO PARAÍBA

ATO REGIONAL VALE DO PARAÍBA #FORA FELICIANO
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP – 16/03
VALE DO PARAÍBA

Não costumo responder provocações, comentários maldosos, preconceituosos. Não entro em discussões religiosas e de fundamentalistas. Mas estão tornando a questão POLÍTICA da Comissão de Direitos Humanos e Minorias em GUERRA SANTA. E hoje tive que responder um comentário em um post que fiz no facebook. Segue o que escrevi:
# Primeiro, não é opção, é orientação. Ninguém escolhe ser gay, ser hetero ou bi. A gente nasce assim, é uma condição.

# Segundo, somos atacados, vilipendiados, exorcizados, maltratados e demonizados frequentemente nos cultos, nos púlpitos, nos altares, nas missas, nas rezas. Nas imprensas religiosas, escritas e faladas, nas TVs e nas rádios religiosas.

Quando há REAÇÃO da nossa parte, novamente somos atacados, insultados, vilipendiados, exorcizados, maltratados, demonizados, ofendidos. Até apanhamos, com socos, ponta-pés, cabeçadas, com tijolos, com facas, porretes, soco inglês, etc… Essa semana aconteceu na Argentina, e os homofóbicos eram também religiosos fundamentalistas de plantão, afirmando que praticavam o ato de covardia porque o papa Francisco os abominavam, eram coisas do demônio.

Basta de Feliciano #NÃO ME REPRESENTA!

Basta de Feliciano
#NÃO ME REPRESENTA!

 

Muitas vezes, em nome do seu deus, de suas crenças, em nome do que ouvem nos púlpitos e altares, também nos matam, e matam com raiva, com muitos tiros, muitas facadas, muitas porradas, muitas tijoladas. Matam, arrancam nossos órgãos sexuais, nos humilham na morte, nos ateiam fogo, jogam-nos em valas, rios, precipícios. DIARIAMENTE um homofóbico mata um gay, ou uma lésbica, ou uma travesti, uma transexual, um bissexual. MATAM, MATAM E MATAM.

E quando reagimos, com nossas manifestações, nossas Paradas, nossos cursos, com o tremular de nossas bandeiras, CONTINUAM A NOS MATAR COM MAIS RAIVA, ÓDIO E PRECONCEITO. E FAZEM ISSO SOB A AUSÊNCIA DA LEI E COM A BENÇÃO DAS PREGAÇÕES DO FINAL DE SEMANA.

# Terceiro, tem muita gente de fé que é do bem. Nossa luta não é contra as religiões, as igrejas e seu povo de fé e do bem. Nossa luta é contra o preconceito e quem o pratica. Não deve um líder religioso mandar que uma pessoa se negue, que negue sua existência, negue suas vontades, seus desejos, seus sonhos. Não pode um líder religioso ordenar que a pessoa se anule, deixe de viver aquilo que ela é.

Quando um religioso assim o faz é como se estivesse ordenando a uma pessoa LGBT: “MORRA”… E assim, tristemente, pessoas LGBT se suicidam, porque não suportam viverem anuladas em sua essência.

Sou de formação cristã, minha família toda é, a grande maioria dos meus amigos também. Tenho certeza, que o meu Deus, que não está nem aí para minha orientação sexual, abençoa minha vida e meu casamento, que são fundamentados no AMOR, mandamento maior da vida humana.

# Quarto, retiro o termo “bisca” que usei para me referir à Joelma da banda Calypso. Tem muitas “biscas” que são dignas e não merecem esse desrespeito de serem comparadas com essa cantora.

E TENHO DITO #FORAFELICIANO!

Luiz André Moresi

Prayers for Bobby – Legendado em PORTUGUÊS

Este é um filme baseado na história verídica de um jovem homossexual, que aos 20 anos suicida-se. “Eu não posso deixar que ninguém saiba que eu não sou hétero. Isso seria tão humilhante. Meus amigos iriam me odiar, com certeza. Eles poderiam até me bater. Na minha família, já ouvi várias vezes eles falando que odeiam os gays, que Deus odeia os gays também. Isso realmente me apavora quando escuto minha família falando desse jeito, porque eles estão realmente falando de mim… Às vezes eu gostaria de desaparecer da face da Terra.” Estas palavras estão escritas no diário de Bobby Griffith, quando tinha 16 anos. A sua mãe, “Mary Griffith”, interpretada por Sigourney Weaver, a senhora dos ELIEN, sabedora da sexualidade do filho acredita”curar” o filho com base na religião e terapias, para quatro anos depois (1979) Bobby lançar-se de uma ponte. Um filme intenso, dramático, e que espelha ainda hoje a realidade de muitas e muitos jovens no mundo! Mary após a morte do filho questiona-se a si e ao fundamentalismo religioso, redime-se da sua posição homofobica tornando-se uma defensora dos direitos GLBT

Carta aberta da ABGLT as candidaturas presidenciais de Dilma Roussef e José Serra

Congresso da ABGLT

Prezada  Dilma e  Prezado Serra,

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, é uma entidade que congrega 237 organizações da sociedade civil em todos Estados do Brasil. Tem como missão a promoção da cidadania e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.

Assim sendo, nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa.

Respeito aos direitos humanos e, principalmente, respeito à laicidade do Estado, à separação entre religião e esfera pública, e à garantia da divisão dos Poderes, de tal modo que o Executivo não interfira no Legislativo ou Judiciário, e vice-versa, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal:  “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral.

Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial.

O Estado brasileiro é laico. O avanço da democracia brasileira é que tem nos permitido pautar, nos últimos anos, os direitos civis dos homossexuais e combater a homofobia. Também tem nos permitido realizar a promoção da autonomia das mulheres e combater o machismo, entre os demais avanços alcançados.  O progresso não pode parar.

Por isso, causa extrema preocupação constatar a tentativa de utilização da fé de milhões de brasileiros e brasileiras para influir no resultado das eleições presidenciais que vivenciamos. Nos últimos dias, ficou clara a inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos. Não podemos aceitar esta tentativa de utilização do medo como orientador de nossos processos políticos. Não podemos aceitar que nosso processo eleitoral seja confundido com uma escolha de posicionamentos religiosos de candidatos e eleitores. Não podemos aceitar que estimulem o ódio entre nosso povo.

O que o movimento LGBT e o movimento de mulheres defendem é apenas e tão somente o respeito à democracia, aos direitos civis, à autonomia individual. Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica.

Cara Dilma e  Caro Serra

Por favor, voltem a conduzir o debate para o campo das ideias e do confronto programático, sem ataques pessoais, sem alimentar intrigas e boatos.

Nós da ABGLT sabemos que o núcleo das diferenças entre vocês (e entre PT e PSDB) não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública.

Candidato Serra: o senhor, como ministro da saúde, implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/Aids e normatizou o aborto legal no SUS. Aquele governo federal que o senhor integrou também elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT. Como prefeito e governador, o senhor criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual, esteve na Parada LGBT de São Paulo e apoiou diversas iniciativas em favor da população LGBT.

Candidata Dilma: a senhora ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com diversas ações. A senhora assinou, junto com o presidente Lula, o decreto de Convocação da I Conferência LGBT do mundo. A senhora já disse, inúmeras vezes, que o aborto é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia.

Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo.

A ABGLT acredita na democracia, e num país onde caibam todos seus 190 milhões de habitantes e não apenas a parcela que quer impor suas ideias baseadas numa única visão de mundo. Vivemos num país da diversidade e da pluralidade.

É hora de retomar o debate de propostas para políticas de governo e de Estado, que possam contribuir para o avanço da nação brasileira, incluindo a segurança pública, a educação, a saúde, a cultura, o emprego, a distribuição de renda, a economia, o acesso a políticas públicas para todos e todas!

Eleições 2010, segundo turno, em 15 de outubro de 2010.

ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

ONG REVIDA lança site oficial

Já está no ar o site oficial da ONG REVIDA. Para acessar basta digitarwww.revida.org e ter acesso a todo conteúdo da ONG.

No site o internauta poderá saber da história da organização, projetos, estatuto e diretoria, bem como poderá ajudar a ONG em suas ações.

O site ainda contém album de fotos, arquivo de notícias, artigos, links, área de biblioteca com livros, cartilhas, TCC, manuais em pdf para download e a agenda de reuniões, oficinas e atividades da ONG REVIDA.

A página na internet da ong de defesa dos direitos humanos e direitos LGBT trás ainda uma enquete sobre homobofia. O internauta poderá opinar sobre se é à favor ou contra a criminalização da homofobia. Há também uma área de recados para deixar a opinião.

A atualização será feita pela própria ONG e sempre que tiver notícias, informações, fotos e artigos sobre os objetivos que norteiam o trabalho da REVIDA.

O endereço do site é www.revida.org .

Site da ONG REVIDA

Site da ONG REVIDA

ONG escolhe tema da Parada LGBT (Diário de Jacareí)

Segue matéria no Jornal Diário de Jacareí (publicada em versão online e impressa dia 26/01/2010). Clique na imagem para ver em tamanho maior.

Tema da 1ª Parada LGBT

ONG REVIDA define tema da 1ª Parada LGBT de Jacareí

Jacareí escolhe tema da sua 1ª Parada LGBT

Início de noite com muita chuva e um grupo de 35 pessoas reunidas para tomar uma decisão histórica para a cidade de Jacareí: a escolha do tema, do lema e percurso da sua 1ª Parada LGBT.

Reunião para escolha do tema da 1ª Parada LGBT de Jacareí

Reunião para escolha do tema da 1ª Parada LGBT de Jacareí

E começou com o povo chegando aos poucos como é costume no interior, mesmo que em pleno crescimento e desenvolvimento populacional e econômico, há os que gostam de manter a velha tradição de chegar atrasado.

Pouco mais de meia hora depois do horário combinado o presidente da ONG REVIDA, Luiz André Moresi, inicia a reunião, compõe a mesa e faz uma breve apresentação da ONG REVIDA, da agenda de 2010, das parcerias e sobre o objetivo de se ter uma Parada LGBT em Jacareí.

Mesa de abertura da reunião

Mesa de abertura da reunião

Começa a indicação de temas e a criatividade aflora nos participantes. A vontade de escolher um assunto que marque e chame a atenção da sociedade é muito forte. Já no meio da reunião tinha-se claro que a Parada deverá combater o preconceito e a homofobia, meio caminho andado. Era preciso então compor o tema e o lema.

Depois de mais de 20 sugestões diferentes e diversas opiniões, as opções foram se concentrando na necessidade de se ter um tema que provoque nas pessoas da cidade a reflexão sobre o preconceito e a importância de se combater a homofobia.

Então, depois de um gostoso debate de ideias e opiniões, decidiu-se por unanimidade. O tema da 1ª Parada LGBT de Jacareí é “JACAREÍ CONTRA A HOMOFOBIA” e o lema é “CIDADE MODERNA É CIDADE SEM PRECONCEITO”.

Participantes votam no tema da 1ª Parada LGBT de Jacareí

Participantes votam no tema da 1ª Parada LGBT de Jacareí

Depois veio a escolha do percurso e as comissões para a organização da Parada que vai acontecer em 27 de junho de 2010.

Nos últimos nove anos Jacareí cresceu de forma ordenada, está em pleno processo de desenvolvimento econômico, com o aumento significativo de indústrias, do comércio, do setor de serviços. Novas avenidas, nova rodoviária, sonho antigo, empreendimentos imobiliários, nova área verde, o Parque da Cidade e o significativo investimento na qualidade de vida da população. E o sentimento de modernização está latente na opinião dos moradores.

É muito triste uma cidade que cresce e esquece que o preconceito ainda mata muita gente. E que a homofobia contra os LGBT está presente na família, na escola, no mercado de trabalho, nos espaços de convivência e no coração de muitos jacareienses.

Não adianta Jacareí ser moderna se o sentimento preconceituoso ainda remete a séculos passados.

1ª PARADA LGBT DE JACAREÍ E REGIÃO

JACAREÍ CONTRA A HOMOFOBIA

CIDADE MODERNA É CIDADE SEM PRECONCEITO!

Reunião para escolha do tema da 1ª Parada LGBT de Jacareí

Reunião para escolha do tema da 1ª Parada LGBT de Jacareí

Preparar a luta… contra a homofobia!

Quase sempre não basta a boa vontade para conquistar aquilo que se quer. É preciso se preparar, estudar, qualificar, aprender… muitos são os argumentos dos contrários.

A homofobia está enraizada em nossa sociedade capitalista, machista e homofóbica. Por conta disso somos obrigados a reprimir nossa afetividade e, para fazê-la, ou estamos dentro das nossas casas, quando conquistamos independência de nossos pais, ou estamos em espaços segmentados, próprios, como boates, bares, saunas e festas lgbt. Para não ficar só na questão da sexualidade, nem nossa espiritualidade podemos manifestar, pois ou “deixamos” de ser homossexuais ou procuramos uma igreja inclusiva, presente somente nos grandes centros urbanos.

Então é preciso lutar muito. Arregaçar as mangas e trabalhar… A homofobia não nos deixa outra alternativa senão lutar, protestar, e dar visibilidade aos nossos desejos e anseios.

Em Jacareí, cidade do Vale do Paraíba, o conservadorismo reina. Encravada no eixo religioso da fé catolicista, nos deparamos com a presença midiática da renovação carismática e suas intempéries, da religiosidade conservadora e dos/as beatos/as santanários, passando pela exploração da capital da fé, Aparecida e do novo santo, Guaratinguetá. É assim mesmo, uma cidade média, com grandes empresas, comércio em crescimento, desenvolvimento em riste e preconceito em abundância.

É lutar muito e melhorar a situação. Não é fácil não. Como em lugar algum. É precisar trabalhar, lutar.

1ª Capacitação em Direitos Humanos em DST/HIV/aids - ONG REVIDA

1ª Capacitação em Direitos Humanos em DST/HIV/aids - ONG REVIDA

Criamos a ONG REVIDA, fomos atrás de parceiros e nesse dia 29 de novembro de 2009 realizamos a nossa 1ª Capacitação em Direitos Humanos para a população LGBT. Juntar esse povo em um curso em pleno domingo é complicado. Mas colocamos nossa cara à tapa. Era preciso fazer algo. Revezando entre 20 e 25 pessoas, fincamos mais uma estaca na homofobia.

Conversamos e discutimos, aprendemos, observamos, e choramos. Um trabalho estava iniciando.

Julian Rodrigues do grupo Corsa

Julian Rodrigues do grupo Corsa

Contamos com a preciosa colaboração do grupo CORSA, representados pelo Julian Rodrigues e pelo Lula Ramires, também se fez presente a Clara Cavalcante, do Programa Municipal DST/HIV/aids de Jandira, acompanhada por Pierre e Fernando. Dando suporte e financiando o encontro, pudemos contar com a presença significativa da Marisa Braga coordenadora do Programa Municipal DST/HIV/aids de Jacareí, que com sua simplicidade, mas aguerrida posição contra o preconceito, conquistou a todos/as.

Lula Ramires do grupo Corsa

Lula Ramires do grupo Corsa

E assim o encontro desenrolou. A emoção da abertura, quando anunciei que a ONG REVIDA foi selecionada pelo Programa Nacional DST/HIV/aids para desenvolver um projeto de atendimento jurídico às populações vulneráveis e curso de capacitação em Direitos Humanos em 2010, no valor de R$ 40 mil… o primeiro projeto financiado da ONG. O aprendizado proporcionado pela brilhante apresentação do Julian Rodrigues e do Lula Ramires, pela confraternização do almoço, pela presença iluminada da Clara Cavalcante, que soube com maestria, envolver todos/as na discussão na parte da tarde. Não posso deixar de mencionar dois momentos especiais na apresentação da Clara: quando meu companheiro Serginho relatou o preconceito vivido por ser afeminado e pela preocupação de um dia encontrar uma pessoa que o aceitasse, dizendo nesse momento que tinha encontrado essa pessoa quando me conheceu, há quase sete anos… falou de uma maneira que lacrimejou os olhos dos presentes, sem exceção. Não esperava por isso. E o outro momento foi quando a Clara pediu que olhássemos nos olhos da coordenadora do Programa Municipal de Jacareí, Marisa, e disséssemos o que queríamos. Pronto, pensei, o povo vai pedir recursos para a ONG, materiais, verba para encontros, reuniões, projetos, ao contrário, pediram que fossem respeitados, que os direitos fossem garantidos, que ações fossem realizadas para diminuir o preconceito e que fossemos tratados como iguais.

Clara Cavalcante, psicóloga de Jandira - SP

Clara Cavalcante, psicóloga de Jandira - SP

Dessa maneira aconteceu o nosso encontro nesse gostoso domingo. Aprendemos muito com o Julian, o Lula e a Clara. Aprendemos com nós mesmos e melhor, saímos com muita energia e vontade de arregaçar as mangas. Vamos fazer outros encontros, reuniões. Vamos articular para leis serem aprovadas e vamos realizar a 1ª Parada LGBT de Jacareí e do Vale do Paraíba em 2010.

Marisa Braga do PM DST/HIV/aids de Jacareí e Luiz André da ONG REVIDA

Marisa Braga do PM DST/HIV/aids de Jacareí e Luiz André da ONG REVIDA

Como não podia faltar, a confraternização após o encontro foi no bar da nossa amiga Matilde, que esteve presente no encontro e nos recebeu muito bem em seu estabelecimento. Não vou esquecer nunca desse dia. Por que começamos o “Jacareí sem Homofobia!”

Luiz André Moresi
Coordenador da ONG REVIDA de Jacareí

Confraternização - ONG REVIDA

Confraternização - ONG REVIDA

Uma Parada no interior!

A gente caminha pelas ruas e não imagina como será. Olha para o povo e não sabe da reação. O tempo? Uma incógnita. E o rio vai levando adiante suas águas. Os peixes, lá estão. Uma diversidade deles.

Rio Piracicaba

Águas do Rio Piracicaba

Cinco dias numa cidade do interior. Onde o rio passa e os peixes param. Cidade da cachaça e das pamonhas de Piracicaba.

Reunidos, 50 pessoas LGBTT discutiram seus direitos, organizaram suas lutas, avaliaram seus caminhos e descaminhos, refletiram suas ideias e por fim celebraram. Uma Parada no interior.

1º Encontro LGBT de Piracicaba e Região

1º Encontro LGBT de Piracicaba e Região

Cresci ouvindo aqueles carros de pamonhas gritando aos quatro cantos a famosa frase “Olha a pamonha, pamonhas, pamonhas de Piracicaba”. Nem imaginava de onde vinha aquele quitute de milho verde. Queria é me lambuzar do doce de Piracicaba. Agora já sei de onde vem. Cidade linda, acolhedora, povo simpático.

Cheguei na concentração da 3ª Parada LGBTT de Piracicaba. Povo já animado mesmo sem o som estar ligado. Gente diversa, alegre, chegando de toda parte da cidade. Em grupos, sozinhas, pulando, cantando ou chegando de fininho e observando. Famílias inteiras, crianças, idosos.

Concentração

Concentração da 3ª Parada LGBTT de Piracicaba

Chega um trio de um parceiro. Vira um alvoroço. Enfim o som, a música, o batidão. Em seguida, o trio oficial abre o som e coloca suas potentes caixas para funcionar. Uma loucura. A galera explode de emoção.

Gente montada de todo lado. Drag Queens, travestis, transexuais, gays, lésbicas e bissexuais se acomodavam entre os heteros simpatizantes.

A abertura oficial – Rubia, drag da cidade, arrasa ao lado de Dimmy Kieer, um amor e Salete Campari, engajada. Já víamos umas 10 mil pessoas. Vamos caminhando, as pessoas nas janelas dos prédios acenando, carros buzinando e o som rolando. Aí podíamos imaginar umas 20 mil pessoas até o momento que Dimmy Kieer avisa: São 20 mil pessoas, número oficial da polícia. É hora de perceber nos rostos das pessoas que organizaram a alegria e a satisfação. Dever cumprido. Mas muita emoção ainda ia rolar.

Dimmy Kieer, Luiz André e Salete Campari

Dimmy Kieer, Luiz André e Salete Campari

Do nada, uma cena triste. De alguma janela, um ovo é arremessado e atinge em cheio os peitos de uma travesti que estava em cima do trio elétrico. Nessa hora, Rubia, Dimmy e Salete param o trio e não deixam barato. A pessoa homofóbica tinha que ouvir poucas e boas. E tenho certeza, ouviu. Estava alí pertinho, se acovardando detrás de uma janela. Dado o recado, o trio segue… e desce a ladeira.

O trânsito se complica. O departamento de trânsito não organiza direito. No microfone, divina Rubia cobra do prefeito Barjas Negris providências. Danada ela. Incisiva. Mas o prefeito desce do trio e nada acontece. Militantes é que começam a organizar o trânsito nessa hora. Já estávamos terminando a parada. Destino final o palco montado no largo da Rua do Porto. Emoção! No palco, com entusiasmo é anunciado: 35 mil pessoas na 3ª Parada LGBTT de Piracicaba. Eu estava lá e comprovo.

Multidão

Multidão na 3ª Parada LGBTT de Piracicaba

Beirando o Rio Piracicaba, com sua beleza e seus peixes de testemunhas, via-se uma multidão celebrando a diversidade, reivindicando direitos negados, lutando contra a homofobia… vivendo o amor, que tem nome sim senhor: o amor lésbico e gay, o amor das travestis e transexuais. O amor LGBT.

Parabéns Alselmo/Theo pela organização, e em seu nome agradeço a hospitalidade, alegria e dedicação de todos e todas da ONG CASVI que proporcionaram esse momento maravilhoso para a história do Movimento LGBTT do Brasil.

VIVA A DIVERSIDADE!!!

Luiz André Moresi

Bandeira do Arco-íris

Bandeira do Arco-íris

Carta aberta ao leitor

Parada 2009

Parada 2009

Leitor,

Desculpe-me a sinceridade e a liberdade de publicamente, dirigir-me a você, talvez as paradas, manifestações, artigos, entrevistas e pesquisas não foram suficientes para sua sensibilização.

Neste 28 de junho é celebrado o orgulho de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – LGBT – em alusão ao que ocorreu nessa mesma data na cidade de Nova York em 1969, e que veio a ser conhecido como a Rebelião de Stonewall. De freqüência LGBT, Stonewall era e ainda é um bar que sofria repetidas batidas policiais, sem justificativa. Naquele dia, os freqüentadores se revoltaram e a manifestação durou três dias, mudando as atitudes repressivas das autoridades para com as pessoas LGBT e dando início à luta pela igualdade de direitos de LGBT. Essa data é celebrada por todo o mundo através de paradas, e outros eventos culturais, artísticos, acadêmicos e políticos trazendo a expressão de orgulho, não de vergonha, de assumir publicamente a orientação sexual e identidade de gênero LGBT.

Parada 2009

Parada 2009

Agora, caro leitor, você já sabe por que acontece a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a maior do planeta e pelo menos outras 150 pelo Brasil afora. É uma manifestação social e política por reconhecimento de direitos. Assim como negras e negros tem o dia 20 de novembro, mulheres o 8 de março, trabalhadores o 1º de maio, as pessoas LGBT tem o 28 de junho. Outros movimentos se utilizam de instrumentos parecidos também para reivindicarem direitos. Movimentos dos Sem Terra e sem Teto, Marcha Mundial de Mulheres, Centrais Sindicais, Movimento Estudantil e tantos outros movimentos. Mesmo diante de tamanha manifestação e mobilização, direitos ainda são negados e o pior, o preconceito existe, é grande e fere e mata.

Muitas vezes, até sem perceber, propagamos atos homofóbicos e colocamos pessoas LGBT em situação de desconforto e ridicularização. Tantas vezes, através de comentários e piadas, fazemos “platéias” rirem de termos como gazela, boiola, libélula. Dizemos “isso é uma bichona”, que tal pessoa “morde a fronha” ou que “isso é coisa de boiola”. Reproduzimos uma situação que é muito triste aqui e no mundo todo: a Homofobia. Nem lembramos que em sete países há pena de morte para os homossexuais e 80 países criminalizam os atos homossexuais e que no Irã gays são enforcados em praça pública.

Fico imaginando como sofrem os adolescentes que descobrem sua orientação sexual ou identidade de gênero LGBT, na escola, na família e no bairro. Recentemente vimos num programa jornalístico de investigação um adolescente de 14 anos, Iago, que cometeu suicídio porque não agüentava mais sofrer com a homofobia dentro da escola. Esses mesmos termos que muitas vezes usamos como piada, tenho certeza, eram adjetivos usados por colegas para discriminar Iago. Pesquisa da UNESCO publicada em 2004 consta que 40% dos adolescentes não gostariam de estudar com um gay, uma lésbica ou uma pessoa trans. Na última Parada Gay em São Paulo 22 pessoas ficaram feridas com uma bomba que uma pessoa jogou de um prédio e um gay de 35 anos, numa rua próxima da Praça da República, foi espancado. Apanhou tanto que sofreu traumatismo craniano e morreu. É isso mesmo, morreu vítima da homofobia.

Campanha contra homofobia

Campanha contra homofobia

Aqui no Vale do Paraíba muitas pessoas LGBT foram brutalmente assassinadas vítimas da raiva e da intolerância de seres inconformados com a diversidade sexual. Não é à-toa que a maioria dos pais não querem que seus filhos sejam gays, lésbicas, travestis ou transexuais. Eles temem que sofram, que sejam violentados, discriminados e que sejam motivo de piadas de péssimo gosto e assédio moral. Já são quase 3000 as pessoas que, nos últimos 20 anos, foram barbaramente assassinadas só porque eram LGBT. Isso é muito triste.

Essa semana, no mesmo programa jornalístico, “Profissão Repórter”, outra situação foi mostrada. Uma garota de 14 anos foi deixada por sua tia, no conselho Tutelar da cidade de São Paulo, por se vestir como menino e ter características masculinas. Ela tinha ido morar com a tia por causa das freqüentes surras que levava da mãe e do padrasto. “Minha mãe não aceitava. Ela tinha preconceito como eu me vestia… andava muito menino”, disse a adolescente. Perguntada se gostaria de ser menina, a garota gesticula que não e diz que sempre foi assim, desde pequena. “Minha tia também não quis [aceitar]. Queria me vestir de mulher, eu não aceitei. Então, pedi pra ela me mandar pra cá [conselho tutelar]”, contou. Ficou claro nessa reportagem como o preconceito interfere na vida de uma pessoa, no caso, na infância e na felicidade de uma criança que, diante de tamanha agressão dentro de casa, mesmo assim, ainda diz com lágrimas que se pudesse escolheria a casa de sua mãe para morar. O preconceito homofóbico fez que, conforme mostra a reportagem, essa garota fosse viver em um abrigo.

Por isso que escrevo essa carta para você, querido leitor e leitora. Basta de homofobia, muita gente já morreu e sofreu e sofre porque, de algum modo, desrespeitamos a condição da pessoa humana. Se você é professor, trabalhe em sala de aula o respeito à diversidade. Jornalistas podem escrever artigos valorizando a boa convivência e denunciando as mazelas contra os direitos humanos. Nossos parlamentares, vereadores e deputados da região podem criar leis que favoreçam o respeito e garantam os direitos de pessoas LGBT. Nossos prefeitos podem criar políticas públicas de inclusão dos LGBT na sociedade, a exemplo do que acontece no governo federal, através do Programa Brasil Sem Homofobia. Há também o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com 180 ações contra a homofobia e a favor do respeito à diversidade humana, fruto da 1ª Conferência Nacional LGBT, precedida de conferências regionais e estaduais, uma delas realizada em nossa região no ano passado. Radialistas e apresentadores de programas de TV podem e devem contribuir para que o preconceito deixe de existir e todos nós podemos fazer coro e apoiar o projeto de lei que criminaliza a homofobia, o PLC 122/2006 que está parado no Senado Federal.

Senhoras idosas na Parada Gay 2009

Senhoras idosas na Parada Gay 2009

Todos nós podemos nos dirigir as pessoas LGBT com respeito e dignidade como qualquer outra pessoa tem direito. Aquelas piadas e chacotas podem contribuir para que adolescentes cometam suicídio, que pais e mães expulsem seus filhos de casa e que atitudes violentas contra LGBT sejam reforçadas.

Desejo tanto que nossa constituição seja respeitada, quando diz nos artigos 3º e 5º que todos são iguais e não haverá discriminação de qualquer natureza. Conto com sua ajuda, caro leitor e leitora.

Luiz André Rezende Moresi, é ativista dos Direitos Humanos e dos Direitos LGBT