“Eu é que não sirvo para ser mulher de pinguço”

Livro Quarto de Despejo de Carolina de Jesus

Livro Quarto de Despejo de Carolina de Jesus

“Salve ela, ô ô ô, salve ela, a vedete da favela”.

Foi em um dos meus cliques diários em busca de histórias que nunca ouvi falar que encontro essa maravilha… estou falando de Carolina de Jesus. Apaixonante!!!

A primeira coisa que faço é pesquisar no wikipédia. E veja só o que encontrei:

Carolina Maria de Jesus (Sacramento, 14 de março de 1914São Paulo, 13 de fevereiro de 1977) foi uma escritora brasileira.

Ex-catadora de papel, Carolina foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas ao escrever uma matéria sobre a expansão da favela do Canindé. Com pouca escolaridade, favelada, mulher, negra e pobre, Carolina fez de suas obras um meio de denúncia sócio-política.

Sua obra mais conhecida, que teve tiragem inicial de dez mil exemplares (esgotados na primeira semana), e traduzida em 13 idiomas, é Quarto de Despejo, publicada em 1960. Também escreveu Casa de Alvenaria (1961), Pedaços de Fome (1963), Provérbios (1963) e Diário de Bitita (1982, póstumo).

Primeira apresentação, aos olhos da alma, é identificação certeira. E é preciso saber mais. Então vamos lá!

Carolina de Jesus, com seu livro Quarto de Despejo, dizem que um dos maiores best-sellers do Brasil, incomodou muita gente, de elite principalmente. Relata numa de suas páginas, o feito de um dono de restaurante que envenenava os restos de comida só para os mendigos não comerem (coisa nem tanto difícil de se imaginar para quem cresceu nas grandes capitais em passado nem tão distante assim).

Carolina, em seu diário, registrava tudo e veja só o que se encontra em um certo 1º de julho:

1 de julho. Eu percebo que se este Diário for publicado vai maguar muita gente. (…) Quando passei perto da fabrica vi varios tomates. Ia pegar quando vi o gerente. Não aproximei porque ele não gosta que pega. Quando descarregam os caminhões os tomates caem no solo e quando os caminhões saem esmaga-os. Mas a humanidade é assim. Prefere vê estragar do que deixar seus semelhantes aproveitar.

Seu português, de certo modo, é capenga, mas a editora orgulha-se em manter os escritos tal como foi escrito:

A edição da Ática avisa com certo orgulho: Esta edição respeita fielmente a linguagem da autora que muitas vezes contraria a gramática, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.

E, já delirando com seus escritos, eis que surge essa pérola:

“O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora. Quem passa fome aprende a pensar no proximo, e nas crianças.”

E olha que Carolina de Jesus faleceu três anos antes da fundação do Partido dos Trabalhadores – PT.

Não contente com a busca de palavras e escritos, como sempre, eu queria música, pois alguém que tinha esse poder de ser pobre, negra, favelada e mulher que incomodava “elites” tinha que ser imortalizada por sonoras notas musicais. Encontro essa maravilhosa participação da cantora Verônica Ferriani  no programa Sr. Brasil da TV Cultura, apresentado pelo fenomenal artista Rolando Boldrin, que dá uma palha na apresentação. Vedete da Favela, Ra Re Ri Ro Rua e para os beudinhos de plantão a Marcha do Pinguço tão atual nesses tempos em que temos de ter uma Lei Maria da Penha para proteger mulheres que sofrem violência doméstica.

Em 2005, a cantora Verônica Ferriani canta com Rolando Boldrin e o grupo Ó do Borogodó no Programa Sr. Brasil da TV Cultura, em homenagem a Carolina de Jesus.

Grupo Ó do Borogodó:

Alexandre Ribeiro: clarinete
Roberta Valente: pandeiro
Lula Gama: violão
Ildo Silva: cavaco

Magrão: participação especial – surdo

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